sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Para sempre, Nikity! (Parte 1)





Outro dia minha irmã me perguntou se eu estava feliz em morar no Rio. Não pude negar, porque é verdade. Mas uma parte de mim sempre vai sentir falta de Niterói. Foi ali que nasci e cresci até meus 23 anos e sempre disse que não havia lugar melhor no mundo para morar. Talvez não haja mesmo. Talvez a gente sempre esteja no melhor lugar para estar, dependendo da perspectiva que olhamos.

Eu teria tanto para falar dessa cidade que amo, mas por agora, selecionei apenas alguns dos lugares que marcaram minha vida: 

1 - o Fonseca e aquela confusão generalizada da Alameda (São Boaventura). Foi ali que passei minha infância e adolescência – minha casa, minha escola, minha igreja e mesmo depois, nunca deixei de freqüentar, principalmente pelos amigos. E da igreja, que nunca abri mão;


2 – o Plaza. E na maioria das vezes não era para comprar nada. Na infância e adolescência, era ponto de encontro com os amigos, só para dar volta e sentar nos bancos. Depois veio o Cinemark e a Saraiva. Adorava ficar por lá fuxicando os livros. E, se não houvesse mais nada para fazer, era pelo menos a passagem para cortar caminho, aproveitar o ar-condicionado e ir pra casa;

3 – a praia de Icaraí. Para caminhar, jogar vôlei, curtir o futebol dos outros, para apreciar a vista do Rio;

4 – Itacoatiara. Porque todo niteroiense que se preze, freqüenta essa praia, ainda que seja um sufoco chegar lá de ônibus e nem sempre seja possível curtir o mar, que costuma bater. Passei muitos bons momentos naquele lugar. Estou com saudade;


5 – o Parque da Cidade. Um dos meus pôr do sóis preferidos no RJ. Uma vista linda, um ambiente gostoso e não precisa de mais nada;

6 – a sorveteria de São Francisco, especificamente no pôr-do-sol. Acho que é o meu lugar preferido de Niterói – juntar sorvete, chocolate, um visual deslumbrante, amigos e muito boas lembranças. É o programa perfeito. Ah, e vale também comer um “podrão” antes na beira da praia.


 Parabéns, Nikity!!! Mas ainda há muito a melhorar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Um ano depois... E agora?





Em novembro de 2011, quando visitava Londres pela segunda vez, senti um calafrio no coração. Foi a primeira vez que tive vontade de morar na Europa de verdade, pra sempre. Era outono e eu passeava pelo parque Greenwich. As folhas vermelhas e amarelas pelo chão, o sol radiante com friozinho gostoso, o sotaque inglês, a educação inglesa, os ingleses... Tudo isso junto me dava paz e felicidade que não queria abrir mão. 


Um ano atrás, voltei para o Brasil, como sempre soube que faria. Desde então, senti algumas vezes um calafrio no coração por saber que tinha tomado a decisão certa. Pela certeza de que o Rio é meu lugar. Mas outras tantas senti um aperto imenso no peito de saudade da Europa e da minha vida por lá.


Ontem, 15 de outubro, dia dos professores, depois de mais uma manifestação, me dei conta de algo: ainda bem que estou no Rio. A possibilidade de não estar no Brasil nem tinha passado pela minha cabeça, embora ela fosse real, e senti mais uma vez um calafrio (a providência divina nunca falha). Nesse momento tão importante da história do país e da cidade, eu sofreria amargamente se estivesse longe. Eu, que participei de quase todos os protestos, poderia estar vendo tudo de longe, pelos posts do Facebook, admirando e me preocupando com que rumo as coisas vão tomar. De perto, ainda admiro e me preocupo muito, até me deprimo, mas pelo menos estou aqui, posso agir, posso participar, posso fazer a história. 



Não sei o que vai acontecer daqui pra frente, nem na minha vida pessoal, nem nesse país que tanto amo. No fundo, talvez pouco importe. Afinal, meu mundo não é aqui e nada do que aqui se passa é verdadeiramente bom. Mas não podemos deixar de lutar, ainda que a batalha seja perdida. Sempre. 


"Sou um perdedor. Em todas as minhas lutas fui derrotado. Lutei por educação básica de qualidade para todos, perdi, lutei por universidades públicas com ensino de qualidade, perdi, lutei pelo respeito aos índios e sua cultura e também perdi. Mas minha derrota é na verdade minha maior vitória, pois eu não gostaria de estar no lugar de quem venceu." (Darcy Ribeiro)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Partes do Rio III - Glória



 “Comer Rezar e Amar” diz que cada cidade tem uma palavra (falei sobre isso quando fui à Roma). Concluo que cada bairro, também. Para mim, a da Glória é muito óbvia: xexelenta (seja lá como for que se escreve isso). No meu imaginário, nada descreve melhor esse pequeno bairro espremido entre Catete, Lapa e Aterro do Flamengo.

Embora consista em não muito mais do que três quarteirões e pouquíssimas empresas, eu consegui a façanha de trabalhar “três” vezes na Glória, em diferentes momentos da vida. O mais estranho é que eu resisti ao bairro o quanto pude, mas não adiantou. 

Quando voltei da África do Sul, em 2008, arranjei um estágio lá. Fiquei uma semana, mas não gostei. Achei que trabalhar na Glória, cursar quatro matérias na UFF e mais a monografia era “too much”.  Saí. O próximo emprego que arranjei? Justamente na Glória. Na esquina desse tal estágio. Como precisava da grana e não tinha nada mais em vista, dessa vez, não pude rejeitar. 

Fiquei na VC 10 meses. Todos eles, odiando a Glória. Chegava lá às 7h e sempre precisava atravessar a rua para evitar uma macumba. As ruas estavam constantemente sujas. Não tinha opções de restaurante, a não ser o Chan (um chinês bem mais ou menos) e os lanches do Hobby. Esses, sim, bem gostosos. Comércio? Nenhum. A única coisa que gostava era meu ambiente de trabalho, bem jovem, animado e divertido. Ah, e o tio das balas. A barraquinha de guloseimas mais limpa e organizada que já vi na vida. Fica na R. Benjamim Constant. 

Quatro anos depois, em 2012, quando voltei da Bélgica (novamente depois de uma estadia internacional), o primeiro emprego que arranjei foi... na Glória. O mais bizarro é que não foi apenas no mesmo bairro. Foi justamente naquele estágio que tinha rejeitado lá atrás. Bem, já disse aqui que não acredito em coincidências. 

Pela segunda vez na RM e pela terceira na Glória, recomecei minha vida no Brasil. De lá para cá, o bairro melhorou. Nunca mais vi macumba na rua (nada contra a religião, mas prefiro evitar a sujeira), a Praça Paris está bem melhor cuidada, abriu Americanas (um oásis naquela falta de comércio) e um Mega Matte (se bem que prefiro os lanches do Hobby). Embora as ruas estejam mais limpas, para mim, ainda resta o ar de Xexelenta. Talvez, uma primeira impressão que demore a passar. 


Nessa minha “terceira” experiência no bairro, o que mais gostava era a vista que tinha do escritório: aterro, pão de açúcar e Niterói; a manicure Nadja (unhas bem feitas por apenas 9 reais no salão Rio Minas); o novo tio dos doces e o bolo de cenoura maravilhoso (R$3,50), minha vizinhança: Tati (again!). E, novamente, meu ambiente de trabalho. Embora reclamasse tanto dele.
No fim das contas, a Glória me faz falta. 



PS 1: Falar da Glória sem falar da Igreja e do Outreiro é absurdo, mas é que faz tanto tempo que eu fui que nem lembro direito. Sei que achei bem bonito, mas meio abandonado. 

PS 2: Eu não sou especialista em Glória, então, sintam-se à vontade para dizer que está tudo errado e comentar o que eu deixei de falar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Partes do Rio II: Maracanã





Sinceramente, não sei se tive opção de não ser flamenguista. Com um irmão fanático como o meu, seria, no mínimo, decepcionante. Tanto assim que nem sei exatamente quando me decidi pelo rubro-negro, mas lembro de torcer desde pequena. Lembro também que meu placar nem sempre conferia com o oficial. Isso porque, para mim, gol impedido valia. Achava um absurdo anularem um gol só porque o outro time não tinha se posicionado direito, não tinha corrido o suficiente para estar na frente do atacante (sim, eu já sabia o que era impedimento). 

O fato é que, independente da minha liberdade (ou não) de escolha, me identifico com a torcida do Flamengo como me identifico com poucas coisas na vida. O jeitão popular, simples, empolgado, completamente apaixonado. Bem eu. 

Lembro perfeitamente a primeira vez que entrei no Maracanã, ainda na versão bem antiga, com direito a geral. Fiquei toda arrepiada e meus olhos se encheram d’água. Era tão grande, tão lindo, e quando a torcida do Flamengo cantou o hino, tão emocionante. Era Flamengo X Santos na época de Robinho e Diego. Não tínhamos chance e eu sabia bem disso. Perdemos de 2 X 0, mas valeu o espetáculo.
Meu irmão saiu do Brasil quando eu ainda era muito nova para frequentar estádios. Então, minhas primeiras vezes no Maraca não foram com ele. Mas compensamos essa ausência da melhor forma possível: vimos o Hexa juntos em 2009. Uma emoção inexplicável. Um dos dias mais marcantes da minha vida. 

Além do Mengão, fui duas vezes ao Maraca assistir a seleção brasileira. Na primeira, vi Ronaldinho Gaúcho e Kaka jogarem, com direito a golaço. A seleção ganhou de 5 X 0 do Equador. Na segunda, com o novo estádio pronto (e lindo!), vi o que até eu duvidava, o Brasil ganhar a Copa das Confederações contra a grande Espanha por 3 a 0. Mais um dia marcante. Um sonho. 

Mesmo assim e embora brasileira com muito orgulho e muito amor, não dá pra negar que o Maraca rubro-negro é mais quente e enlouquecedor do que verde-amarelo. Mesmo a disputa por uma simples vaga nas quartas de finais da Copa do Brasil é capaz de se transformar a torcida num espetáculo a parte quando se trata de Flamengo.  

Aliás, vi algumas cenas muito lindas nesse último jogo. Sentei-me ao lado de um flamenguista especial, acompanhado de sua mãe. Ele estava tão empolgado com o jogo, sofreu e torceu tanto... Peguei-me torcendo para o Flamengo ganhar mais para vê-lo feliz do que pelo próprio time. Vi um outro jovem que, não sei porque, estava de cadeira de rodas. Ele, bem no meio da galera, e seu espaço sendo respeitado. Tinha também torcedores erguendo a faixa: "O Maraca é nosso. Fora Odebrecht!". Adorei.
O Maraca é ponto turístico indispensável para moradores e viajantes, mas, se for para assistir um jogo do Mengão, melhor ainda. 


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Partes do Rio I: Botafogo


O Rio de Janeiro é muito grande, diverso, plural e desigual. Resumi-lo em um post é quase impossível. Talvez por isso tenha demorado tanto para me arriscar a escrever sobre essa cidade por aqui (embora tenha feito uma prévia no blog da Ana). Resolvi, então, simplificar e ir por partes. A primeira, meu atual bairro de residência: Botafogo.
Confesso que quando soube que me mudaria para cá, não fiquei nem um pouco satisfeita. Amo Niterói e não queria deixar minha cidade por nada. Além disso, sempre disse que se fosse para morar no Rio teria que ser em Ipanema ou Leblon. Nada menos que isso. Mas, como a realidade nem sempre condiz com nossos caprichos, tive mesmo que vir parar em Botafogo. Comecei com o pé esquerdo: com uma semana fui assaltada caminhando na Enseada, perdi meu Ipod Touch e ainda tomei um soco. Passado o susto, fui conquistada.  Eis os motivos:
1-  Praticidade: 20 minutos de metrô até o centro, 15 min. de metrô ou 30 min. de bike até meu antigo trabalho na Glória, meia-hora de ônibus ou de bike até meu atual emprego na Gávea. E não menos importante que isso: 15 min. de metrô até a praia de Ipanema (temporariamente interrompido pelas obras), 15 min. de bus até o Jardim Botânico e a Lagoa. Não dá para reclamar, né? Sem contar que tem ônibus direto para tudo quanto é canto, inclusive para Nikity.
 
2-   Grupo Estação: parece bobeira, mas um dos maiores motivos de minha alegria de morar em Botafogo é estar na esquina dos cinemas do Estação. Sério, é muito bom ter dois cinemas de rua com uma programação tão bacana a poucos metros da sua casa. Acho o máximo assistir os filmes diferenciados, não precisar enfrentar um shopping e ainda ter cafeteria, locadora e uma livraria deliciosa. Da até para curtir um filminho durante a semana atarefada. E ainda tem o Itau Arplex, na praia.
3-   Enseada: apesar de ter sido assaltada por lá, acho uma delícia caminhar por essa orla. É uma das vistas mais lindas do Rio. De um lado, o Pão de Açúcar e do outro, o Cristo Redentor. Toda vez que passo por lá me lembro o quanto sou privilegiada. (É exatamente o mesmo sentimento que tinha quando caminhava no parque Cinquantenaire em Bruxelas).

4 - Happy Hour: não que eu seja frequentadora assídua de noitadas e afins, mas gosto do clima de Happy Hour dos barzinhos em Botafogo, a concentração perto da estação de metrô, na Voluntários, na esquina do Botafogo Praia Shopping. Acho bem gostoso ter uma opção de saidinha assim tão pertinho de casa.
5 - Minha vizinhança: a Tati, o consultório adventista Silvestre - onde minha irmã trabalha -, a IASD de Botafogo.
O que não gosto: da violência, talvez pelo susto que tomei assim que cheguei, mas também pelos moradores de rua, pela escuridão da orla e da passagem subterrânea à noite. Acho também que falta uma cafeteria bem gostosa (só tem a de dentro do cinema).

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Guest Post - Dias perfeitos de verão - Bélgica

Esse é um post especial, escrito por uma amiga muito querida. Enquanto passamos frio no Rio, ela traz um pouco do calor do verão belga e mata minhas saudades...



"O clima aqui na Bélgica é meio triste. A maior parte do ano é dominada por céu nublado, chuva, frio, escuridão. Durante o inverno os dias são tão curtos e o sol fica tanto tempo sem aparecer que você até começa a esquecer como é ver a luz e sentir o calor na pele.

Sempre que conheço alguém aqui e digo que sou do Brasil a pessoa se ilumina e sei exatamente o que passou pela sua mente: sol, calor, praia. Me perguntam porque decidi morar na Bélgica e se eu não sinto falta do clima.

Evito enumerar todos os pontos em que a vida na Bélgica é melhor do que no Brasil (pra mim) e resumo dizendo que quando o calor é demais, você se cansa. Que o eterno verão brasileiro não proporciona qualidade de vida às pessoas.

Aqui eu aprendi a desejar e aproveitar os – poucos - dias de sol. No Brasil eu evitava sair quando o sol estivesse muito quente e andava sempre pela sombra para não queimar. Odiava chegar suada ao trabalho e nunca havia roupa confortável e fresca o suficiente.

Na Bélgica o sol chega timidamente. Passamos a primavera inteira sonhando com o calor e celebrando cada florzinha que nasce. A natureza se renova e o espírito das pessoas também. Sai um solzinho e todo mundo sai de casa. Sentam-se no jardim, nas calçadas dos bares, vão aos parques, andam de bicicleta, fazem churrasco, descobrem as piscinas, vão à praia. Ficam tão bronzeados, mas tão bronzeados que parece que estavam perdidos num deserto!

O humor muda, usamos roupas leves, comemos comidas leves, o espírito fica mais leve e ficamos ao ar livre até tarde (pôr do sol às 22h!).
E eu, brasileira do sertão norte mineiro, reclamo do calor de 25 graus!"

Ana Elisa Miranda é professora de inglês, ex Au Pair e escritora. Autora do livro de crônicas "Qualquer dia desses” e do eBook “Live the dream and love the journey”, recém-lançado.

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