domingo, 28 de agosto de 2011

Vá bene


Minha última parada na Itália foi em direção ao sul, nas regiões de Puglia e Basilicata. Depois de uma Roma lotada e muito agitada, a paz de Matera foi perfeita para acalmar os ânimos. De todos os lugares que visitei, esse com certeza foi o mais diferente. Uma cidade construída nas rochas, onde até pouquíssimo tempo atrás (leia-se 1950) as pessoas ainda moravam nas cavernas. Literalmente!


Patrimônio da Unesco, Matera não é um destino turístico comum, mas foi uma deliciosa surpresa para mim. Eu passei apenas dois dias lá, mas poderia ter passado muito mais.  O visual da cidade é lindo e o melhor de tudo são as pessoas. Eu amei os italianos de forma geral, mas os de Matera são ainda mais especiais. Tão simpáticos, alegres, atenciosos! O povo na rua, meu host e os amigos dele, todos me fizeram querer voltar lá em breve. E foi em Matera que comi a melhor pizza italiana de toda a viagem! Só de pensar já me da água na boca.

Em Bari, matei as saudades do Brasil curtindo uma praia maravilhosa chamada Bosco Verde. Depois de 8 meses sem saber o que era isso, mergulhei num mar verde e de água quentinha. Delicioso! Tudo que eu precisava para fechar uma viagem maravilhosa por um país apaixonante.


Em uma conversa com um Materano querido, chegamos a conclusão que a palavra da Itália é “Vá Bene”. Além deles falarem isso o tempo todo, a expressão reflete bem o espírito do povo italiano. Mesmo que as coisas não estejam tão bem, eles sempre respiram fundo e concluem: vá bene! :)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Rome, sweet home...


Um dos meus livros/filmes favoritos, “Comer, Rezar, Amar” não me saía da cabeça enquanto eu andava pelas ruas de Roma. Nas minhas primeiras horas na cidade, sentada em frente ao Vittoriano, saboreando meu gelato, eu me lembrava de quando o li pela primeira vez: em Niterói, cheia de dúvidas e, inspirada por ele, começando a vaguear sobre a possibilidade de passar um ano na Europa.  
Roma me fez lembrar de como tudo começou e, de toda a Itália,  foi onde me senti mais “home”. É a única cidade fora do Brasil que eu e todos os meus irmãos já visitamos, foi o único momento que encontrei pessoas previamente conhecidas (as meninas Au Pair de Bruxelas) e até a casa onde fiquei lá foi a que teve mais gostinho de casa.

Para além da parte emocional, Roma é impressionante. A cada esquina um monumento chama sua atenção e te faz suspirar (tanto pela história quanto pela beleza). O Coliseu é de tirar o fôlego, a Fontana de Trevi é deslumbrante, o Vittoriano é gigante e a luz dentro do Pantheon dá quase uma sensação de divino.

Acho que de tão famosa, Roma dispensa comentários, mas minha dica para a cidade é comprar um livro-guia que se encontra em cada banca de jornal. Foi o que eu fiz e adorei. Em cada ponto turístico, eu abria meu livro e descobria onde, quando, por quem e por que foi construído. Em uma cidade que é uma imersão de história, é uma delícia viajar com as datas e nomes! J
Infelizmente, tenho que confessar que o Romano não é um povo assim tão simpático. Acho que eles já não agüentam mais tantos turistas e pedir informações lá é sempre correr o risco de tomar um fora. Por isso, prometi elogiar um restaurante onde almoçamos chamado “Imperiale”. A pasta era bem gostosa, o preço razoável e o melhor atendimento da cidade. Fica entre o Coliseu e o Vittoriano.  

Para fechar, tenho que discordar de “Comer, Rezar, Amar” quando diz que a palavra de Roma é “Sex”. Talvez para quem mora lá isso seja até verdade, mas para os turistas, a palavra com certeza é  “Crowded”. Ô cidade lotada! E quente!!!
E por falar em palavras, eu gosto desse jogo. Você já sabe qual é a sua? Eu ainda estou decidindo a minha. Tem duas na disputa. Uma em francês e outra em italiano. Acho que muda sempre que me apaixono por uma nova língua! ;)

domingo, 14 de agosto de 2011

Milão

Finalmente em casa depois de uma viagem maravilhosa e muito cansativa. Foram cinco cidades visitadas em dois países. Ou seja, muita história para contar no blog! :D
Minha primeira parada foi Milão. Capital da moda na Itália e no mundo, a cidade me surpreendeu. Embora seja o centro comercial do país, Milão tem um ar especial. É charmosa, viva, animada e com muito verde. 
A cidade não tem muitos pontos turísticos famosos. O principal é a Catedral Duomo. Uma igreja monumental, impressionante por dentro e por fora. Tem também as galerias e ruas da moda, com marcas super fashion totalmente fora das minhas pretensões, embora seja gostoso de olhar.


Mas para mim Milão vale a pena por duas atrações: San Siro e “A última Ceia”.
Para os amantes do futebol, a visita ao estádio do Milan e do Inter de Milão é indispensável. Primeiro você conhece o museu e dá maior orgulho de ser brasileiro. Só dá nós:  Kaka, Júlio César, Adriano, Robinho...


Depois começa a visita guiada por dentro do estádio. Uma das partes mais emocionantes é conhecer os vestiários. Cada um com seu estilo e suas cores, lindos. O do Milan é mais sofisticado, com cadeiras e tela de TV especial para cada jogador. E tem até a “esquina brasileira”, onde sentam Pato, Thiago Silva, Robinho e onde sentaram Kaka e Ronaldinho Gaúcho. Eu, boba do jeito que sou, sentei em todas elas! :D

A entrada do museu custa 7 euros e o combo com Museu+tour no estádio 12,50 (acho que são preços para moradores da Europa, mas não tenho certeza). O San Siro é um pouco afastado do centro. Da praça Duomo, tem metrô que leva perto do estádio e de lá você pode pegar um ônibus ou caminhar uns 20 minutos.  O problema é que ainda não sei qual ônibus que se deve pegar e pelo visto, nem os italianos! :P
O outro ponto imperdível de Milão é a igreja Santa Marie de La Grazie, onde está a famosa obra de Da Vinci, “A Última Ceia”. Que ao contrário do que eu pensava, não é um quadro, mas uma pintura na parede do refeitório da igreja.


Como já disse anteriormente sobre a Monalisa, acho muito emocionante ver ao vivo uma obra de arte de um gênio como Da Vinci. No caso da “Última Ceia”, minha curiosidade era ainda maior devido a todas as especulações dos livros de Dan Brown.  E devo confessar que muitas delas até fazem sentido.
Eu ainda recomendo um passeio no parque Sempione. É tão bonito e tranqüilo. Ótimo para relaxar da correria de turista. E a noite tem uma boite dentro do parque no estilo “aperitivo” (típico da Itália). Tem um Buffet de comida a vontade e você só paga a bebida, que custa 10 euros cada uma.
A nightlife de Milan é num bairro chamado Navigli, perto do canal, cheio de bares e restaurantes. Foi lá que experimentei minha primeira pizza italiana, num restaurante chamado Fabricca, totalmente recomendado!  O preço é bem razoável, variando de 5,50 a 7,50 dependendo do sabor e a pizza é simplesmente MARAVILHOSA. Well, this is Milan, this is Italy!!! :D

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ghent Festival 2011


Essa semana acontece uma das festas mais famosas da Bélgica, o Ghent Festival. Já na 168° edição, são 10 dias com atrações de música, teatro, cinema, esporte e tudo mais que se tem direito. Os shows acontecem das 10h às 03h sem parar! E depois ainda falam que brasileiro que não trabalha! :P

Eu e a máfia das Au Pairs brasileiras fomos conferir a programação no último sábado, mas confesso que foi estilo... cilada! OK, a culpa não foi do Festival, mas do clima da Bélgica que nunca colabora! Choveu o dia inteiro e como os palcos são ao ar livre nem deu para curtir muito, mas até que foi divertido!


Embora não possa fazer muita propaganda do Festival por conta da chuva, Ghent, porém, é uma cidade que vale a pena conhecer. É super charmosa e, por ser uma cidade universitária, é cheia de jovens e diz a lenda que bem agitada. Já reparei que entre os belgas, ela faz muito sucesso, já ouvi muitos dizerem que é a cidade mais bonita do país. Eu gosto, mas ainda prefiro Brugge! :)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

L´été est arrivé

O verão chegou à Europa. E faz calor. Muito calor! É incrível ver a diferença na rotina das pessoas com as mudanças de estação.  Com o sol se pondo quase às 23h, as ruas estão sempre movimentadas, os cafés lotam as mesas nas calçadas, os jovens fazem picnics nos inúmeros parques... O clima é de alegria, o espírito é “vamos aproveitar cada raio de sol, porque dura pouco”.


Como brasileiros, acostumados com calor o ano inteiro, muitas vezes desperdiçamos um dia lindo de sol trancados em casa em frente ao computador ou à televisão. Os europeus não podem se dar a esse “luxo”.  Eles têm a exata noção do privilégio que é ver o sol iluminar e aquecer as lindas paisagens daqui. Por isso, a palavra de ordem é “outside!”.
Eu amei aproveitar o inverno aqui, ver as temperaturas caindo e usar todas as roupas que jamais usaria no Brasil. Mas o verão é encantador. Tudo fica mais bonito, as paisagens naturais, as construções antigas e até as pessoas. Amo acordar e ver o sol brilhando na minha janela, pedalar de bike entre os campos de trigo dourados de sol, ver o pôr-do-sol às 22h30. Não temos praia, mas os parques estão aí pra isso. Todo mundo estende sua toalha, muitas vezes até de biquíni, e passa o dia ali, conversando, namorando, comendo, lendo, jogando...
É verão... enjoy it! :D

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Diferenças...

Uma das melhores experiências que vivo na Europa é o contato com pessoas de estilos de vida muito diferentes do meu, seja por questões culturais, sociais, econômicas, religiosas, etc...
Um desses grupos são os mulçumanos. Tão raros no Brasil (nunca vi nenhum no RJ!), eles estão em todos os lugares por aqui, em Amsterdam, Paris, Bruxelas e até no interior da Alemanha. Eu tive o privilégio de estudar com dois no meu curso de francês. E digo privilégio porque acho no mínimo interessante a oportunidade de conversar e conviver com pessoas vindas de um mundo tão distante do seu (embora esse choque cultural cause muitos ruídos de comunicação, ainda mais em francês).
O que mais me chama a atenção neles é o fato de que mesmo longe do seu ambiente natural, os mulçumanos ainda mantêm seus costumes e tradições. E por isso, eles são facilmente reconhecidos pelas ruas, tanto as mulheres por causa dos véus que cobrem a cabeça, mas também os homens pelo estilo de se vestir, de se comportar, pela língua, etc.
Mas a verdade também é que eles não são tão fechados como parece. Meu colega de classe, por exemplo, está em processo de divórcio!  Aliás, como homens, eles são do tipo que cantam todas as mulheres e de forma muito insistente. Os marroquinos então... É só você andar pela rua que eles chegam falando um francês esfarrapado e pedindo seu telefone, antes mesmo de perguntar seu nome.
Mas de todos os tipos de pessoas que eu conheci por aqui, as que mais me impressionam são aquelas que teoricamente deveriam levar uma vida “normal”, mas que por qualquer motivo decidiram mudar de rumo. Talvez o caso mais notório disso seja um francês que conheci essa semana. Criado em Paris, trabalhando na área de computadores, ele cansou da vida “estressante, corrida e artificial” (palavras dele) das grandes cidades e resolveu mudar para o interior da França, numa região chamada Bretagne.
Lá, ele mesmo construiu sua casa auto-sustentável, com energia solar e eólica, tratamento de água próprio, onde ele planta trigo e produz e vende farinha e pão. A casa não tem televisão e a família é vegetariana. Seu estilo de vida é tão particular que ele já até virou notícia num canal de TV francês.
É claro que como um homem do campo, a aparência dele não é das mais tradicionais. Hoje de manhã, o levei com o filinho de 6 anos para o ponto do tram. Na volta, uma senhora muito distinta parou o carro perto de mim me perguntando se eu conhecia bem o homem que estava andando comigo e com a criança, porque ela achou meio esquisita a situação e ficou preocupada. Expliquei que ele era pai da criança e que eles eram meus hóspedes. A cara de espanto da mulher revela todo o preconceito que temos, inclusive eu, com aquilo que é diferente...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sementinha...

É sexta-feira e já passam das 21h. Eu estou arrumando meu quarto, quando a Boana bate na porta e diz que quer conversar, embora ela não tenha absolutamente nada para falar. Ela está entediada porque os pais estão assistindo um filme que ela não gosta. Sem assunto, eu peço para ela me ajudar a escolher a roupa que vou à igreja na manhã seguinte. Ela, obviamente, adora a idéia. Pede para eu sair, enquanto ela prepara os possíveis looks. Mas antes de eu deixá-la sozinha, ela pergunta:
- Por que você tem sempre que ir à igreja?
- Você pode ir um dia, se quiser.
- Na verdade, eu realmente gostaria de ir. Tenho vontade de conhecer.
Eu saio do quarto sem saber o que dizer. Não esperava uma resposta positiva. Depois de finalmente decidirmos meu visual, ela volta a tocar no assunto.
- A gente pode então pedir meus pais para eu ir amanhã com você.
- Você quer mesmo ir?
- Quero. Eu nunca fui a uma igreja. Quero saber como é.
- Você acha que eles vão deixar?
- Acho que sim.
Entramos as duas nervosas na sala. Eu estava com medo da reação deles. Em uma família atéia, você até se sente culpada por falar de Jesus a uma criança. Muito sem graça, eu digo que a Boana pediu para ir à igreja comigo.  Os pais se olham sem saber o que dizer. O pai diz que ela tem que estudar pras provas da escola e a mãe se diz preocupada em deixá-la ir numa igreja que ela não conhece para ouvir histórias e promessas que, aos olhos dela, não são verdade. E ainda tem mais um problema, a mãe acrescente:
- E se a Boana resolver seguir essa religião. Eu não vou deixar.
Depois de argumentar algumas coisas, rebatendo críticas que eles têm em relação às igrejas em geral, eu deixei eles sozinhos para conversar e me dar a resposta amanhã. Eu não acho que os pais vão ceder.  Fico abismada como as pessoas podem ser preconceituosas e caretas. Eles deixam a menina provar cerveja, mas não a deixam conhecer uma igreja.
Mas pelo menos a sementinha está plantada.
Desde que comecei minha jornada como Au Pair, oro diariamente para que Deus me dê sabedoria e guie meus passos para ser um bom exemplo para essa família atéia. Nos últimos dois meses, minhas orações foram ainda mais intensas. Eles estão passando por um momento delicado e eu já estou apegada demais. Sofro e torço para que eles consigam superar os problemas. E espero que um dia eles abram os olhos para a Verdade e aceitem o precioso dom da salvação.
Oro para que eles e TODA minha família verdadeira, minha mãe, minhas irmãs, meu irmão, meus tios, estejam comigo celebrando a volta de Jesus.
Saudade - Coral Jovem do IACS