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sexta-feira, 13 de julho de 2012

No interior da França... St. Valerie Sur Somme


Existem certas experiências que só o trabalho de Au Pair te dá. Viajar para lugares que você nunca imaginou é uma delas. Minha primeira vez na França foi "a trabalho" com minha primeira família na Bélgica. Eles têm uma casa numa vilazinha no sul da França, chamada Mortagne sur Gironde, perto de Bordeaux, e fomos para lá duas vezes, passar carnaval e páscoa. Foi o lugar com o maior clima de paz que já conheci.

E agora, mais de um ano depois, aqui estou eu na França a trabalho de novo. Desta vez, numa vilazinha no norte do país, com a terceira família que sou Au Pair. E se Mortagne é hors concours no quesito paz, St. Valery sur Somme tem o pôr do sol mais bonito que já vi na Europa (ia falar do mundo, mas lembrei do pôr do sol que vi na Table Mountain na África do Sul). Todo fim de dia que faço meu passeio fico impressionada... (e com raiva por não saber fazer fotos!).

Eu confesso que quando soube que viríamos passar duas semanas aqui não fiquei nem um pouco empolgada. Em época de fechamento da revista e com tantas coisas para fazer (meus cursos, organizar minha viagem de verão, minha volta para o Brasil), passar duas semanas fora de Bruxelas, numa casa sem internet e com três crianças full-time não parecia uma boa ideia, principalmente depois que tive uma briga um tanto séria com um dos meninos que tomo conta.
Mas a viagem foi bem melhor do que eu esperava. St. Valerie tem um clima de paz e tranquilidade típico do interior da França, é bonita e, mesmo que as praias não sejam das melhores (a que fomos é de pedras), dá para curtir o sol. A casa que estamos é uma delícia, com um jardim enorme e uma mesa de ping-pong que faz a diversão das crianças e minha, é claro! Para melhorar, descobri que os meninos são viciados em jogos como eu. Passamos as noites no baralho e no War (na Europa se chama Risk). Muito melhor que qualquer conexão wifi!


Esse clima de praia durante o dia e jogos à noite me lembra minhas férias com minhas irmãs... momentos tão bons. Me deu ainda mais saudade do Brasil e, embora saiba que vou morrer de saudade de tudo aqui, fiquei feliz de pensar que estou voltando.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Diferenças...

Uma das melhores experiências que vivo na Europa é o contato com pessoas de estilos de vida muito diferentes do meu, seja por questões culturais, sociais, econômicas, religiosas, etc...
Um desses grupos são os mulçumanos. Tão raros no Brasil (nunca vi nenhum no RJ!), eles estão em todos os lugares por aqui, em Amsterdam, Paris, Bruxelas e até no interior da Alemanha. Eu tive o privilégio de estudar com dois no meu curso de francês. E digo privilégio porque acho no mínimo interessante a oportunidade de conversar e conviver com pessoas vindas de um mundo tão distante do seu (embora esse choque cultural cause muitos ruídos de comunicação, ainda mais em francês).
O que mais me chama a atenção neles é o fato de que mesmo longe do seu ambiente natural, os mulçumanos ainda mantêm seus costumes e tradições. E por isso, eles são facilmente reconhecidos pelas ruas, tanto as mulheres por causa dos véus que cobrem a cabeça, mas também os homens pelo estilo de se vestir, de se comportar, pela língua, etc.
Mas a verdade também é que eles não são tão fechados como parece. Meu colega de classe, por exemplo, está em processo de divórcio!  Aliás, como homens, eles são do tipo que cantam todas as mulheres e de forma muito insistente. Os marroquinos então... É só você andar pela rua que eles chegam falando um francês esfarrapado e pedindo seu telefone, antes mesmo de perguntar seu nome.
Mas de todos os tipos de pessoas que eu conheci por aqui, as que mais me impressionam são aquelas que teoricamente deveriam levar uma vida “normal”, mas que por qualquer motivo decidiram mudar de rumo. Talvez o caso mais notório disso seja um francês que conheci essa semana. Criado em Paris, trabalhando na área de computadores, ele cansou da vida “estressante, corrida e artificial” (palavras dele) das grandes cidades e resolveu mudar para o interior da França, numa região chamada Bretagne.
Lá, ele mesmo construiu sua casa auto-sustentável, com energia solar e eólica, tratamento de água próprio, onde ele planta trigo e produz e vende farinha e pão. A casa não tem televisão e a família é vegetariana. Seu estilo de vida é tão particular que ele já até virou notícia num canal de TV francês.
É claro que como um homem do campo, a aparência dele não é das mais tradicionais. Hoje de manhã, o levei com o filinho de 6 anos para o ponto do tram. Na volta, uma senhora muito distinta parou o carro perto de mim me perguntando se eu conhecia bem o homem que estava andando comigo e com a criança, porque ela achou meio esquisita a situação e ficou preocupada. Expliquei que ele era pai da criança e que eles eram meus hóspedes. A cara de espanto da mulher revela todo o preconceito que temos, inclusive eu, com aquilo que é diferente...