quinta-feira, 7 de julho de 2011

L´été est arrivé

O verão chegou à Europa. E faz calor. Muito calor! É incrível ver a diferença na rotina das pessoas com as mudanças de estação.  Com o sol se pondo quase às 23h, as ruas estão sempre movimentadas, os cafés lotam as mesas nas calçadas, os jovens fazem picnics nos inúmeros parques... O clima é de alegria, o espírito é “vamos aproveitar cada raio de sol, porque dura pouco”.


Como brasileiros, acostumados com calor o ano inteiro, muitas vezes desperdiçamos um dia lindo de sol trancados em casa em frente ao computador ou à televisão. Os europeus não podem se dar a esse “luxo”.  Eles têm a exata noção do privilégio que é ver o sol iluminar e aquecer as lindas paisagens daqui. Por isso, a palavra de ordem é “outside!”.
Eu amei aproveitar o inverno aqui, ver as temperaturas caindo e usar todas as roupas que jamais usaria no Brasil. Mas o verão é encantador. Tudo fica mais bonito, as paisagens naturais, as construções antigas e até as pessoas. Amo acordar e ver o sol brilhando na minha janela, pedalar de bike entre os campos de trigo dourados de sol, ver o pôr-do-sol às 22h30. Não temos praia, mas os parques estão aí pra isso. Todo mundo estende sua toalha, muitas vezes até de biquíni, e passa o dia ali, conversando, namorando, comendo, lendo, jogando...
É verão... enjoy it! :D

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Diferenças...

Uma das melhores experiências que vivo na Europa é o contato com pessoas de estilos de vida muito diferentes do meu, seja por questões culturais, sociais, econômicas, religiosas, etc...
Um desses grupos são os mulçumanos. Tão raros no Brasil (nunca vi nenhum no RJ!), eles estão em todos os lugares por aqui, em Amsterdam, Paris, Bruxelas e até no interior da Alemanha. Eu tive o privilégio de estudar com dois no meu curso de francês. E digo privilégio porque acho no mínimo interessante a oportunidade de conversar e conviver com pessoas vindas de um mundo tão distante do seu (embora esse choque cultural cause muitos ruídos de comunicação, ainda mais em francês).
O que mais me chama a atenção neles é o fato de que mesmo longe do seu ambiente natural, os mulçumanos ainda mantêm seus costumes e tradições. E por isso, eles são facilmente reconhecidos pelas ruas, tanto as mulheres por causa dos véus que cobrem a cabeça, mas também os homens pelo estilo de se vestir, de se comportar, pela língua, etc.
Mas a verdade também é que eles não são tão fechados como parece. Meu colega de classe, por exemplo, está em processo de divórcio!  Aliás, como homens, eles são do tipo que cantam todas as mulheres e de forma muito insistente. Os marroquinos então... É só você andar pela rua que eles chegam falando um francês esfarrapado e pedindo seu telefone, antes mesmo de perguntar seu nome.
Mas de todos os tipos de pessoas que eu conheci por aqui, as que mais me impressionam são aquelas que teoricamente deveriam levar uma vida “normal”, mas que por qualquer motivo decidiram mudar de rumo. Talvez o caso mais notório disso seja um francês que conheci essa semana. Criado em Paris, trabalhando na área de computadores, ele cansou da vida “estressante, corrida e artificial” (palavras dele) das grandes cidades e resolveu mudar para o interior da França, numa região chamada Bretagne.
Lá, ele mesmo construiu sua casa auto-sustentável, com energia solar e eólica, tratamento de água próprio, onde ele planta trigo e produz e vende farinha e pão. A casa não tem televisão e a família é vegetariana. Seu estilo de vida é tão particular que ele já até virou notícia num canal de TV francês.
É claro que como um homem do campo, a aparência dele não é das mais tradicionais. Hoje de manhã, o levei com o filinho de 6 anos para o ponto do tram. Na volta, uma senhora muito distinta parou o carro perto de mim me perguntando se eu conhecia bem o homem que estava andando comigo e com a criança, porque ela achou meio esquisita a situação e ficou preocupada. Expliquei que ele era pai da criança e que eles eram meus hóspedes. A cara de espanto da mulher revela todo o preconceito que temos, inclusive eu, com aquilo que é diferente...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sementinha...

É sexta-feira e já passam das 21h. Eu estou arrumando meu quarto, quando a Boana bate na porta e diz que quer conversar, embora ela não tenha absolutamente nada para falar. Ela está entediada porque os pais estão assistindo um filme que ela não gosta. Sem assunto, eu peço para ela me ajudar a escolher a roupa que vou à igreja na manhã seguinte. Ela, obviamente, adora a idéia. Pede para eu sair, enquanto ela prepara os possíveis looks. Mas antes de eu deixá-la sozinha, ela pergunta:
- Por que você tem sempre que ir à igreja?
- Você pode ir um dia, se quiser.
- Na verdade, eu realmente gostaria de ir. Tenho vontade de conhecer.
Eu saio do quarto sem saber o que dizer. Não esperava uma resposta positiva. Depois de finalmente decidirmos meu visual, ela volta a tocar no assunto.
- A gente pode então pedir meus pais para eu ir amanhã com você.
- Você quer mesmo ir?
- Quero. Eu nunca fui a uma igreja. Quero saber como é.
- Você acha que eles vão deixar?
- Acho que sim.
Entramos as duas nervosas na sala. Eu estava com medo da reação deles. Em uma família atéia, você até se sente culpada por falar de Jesus a uma criança. Muito sem graça, eu digo que a Boana pediu para ir à igreja comigo.  Os pais se olham sem saber o que dizer. O pai diz que ela tem que estudar pras provas da escola e a mãe se diz preocupada em deixá-la ir numa igreja que ela não conhece para ouvir histórias e promessas que, aos olhos dela, não são verdade. E ainda tem mais um problema, a mãe acrescente:
- E se a Boana resolver seguir essa religião. Eu não vou deixar.
Depois de argumentar algumas coisas, rebatendo críticas que eles têm em relação às igrejas em geral, eu deixei eles sozinhos para conversar e me dar a resposta amanhã. Eu não acho que os pais vão ceder.  Fico abismada como as pessoas podem ser preconceituosas e caretas. Eles deixam a menina provar cerveja, mas não a deixam conhecer uma igreja.
Mas pelo menos a sementinha está plantada.
Desde que comecei minha jornada como Au Pair, oro diariamente para que Deus me dê sabedoria e guie meus passos para ser um bom exemplo para essa família atéia. Nos últimos dois meses, minhas orações foram ainda mais intensas. Eles estão passando por um momento delicado e eu já estou apegada demais. Sofro e torço para que eles consigam superar os problemas. E espero que um dia eles abram os olhos para a Verdade e aceitem o precioso dom da salvação.
Oro para que eles e TODA minha família verdadeira, minha mãe, minhas irmãs, meu irmão, meus tios, estejam comigo celebrando a volta de Jesus.
Saudade - Coral Jovem do IACS

terça-feira, 7 de junho de 2011

Toque brasileiro na Alemanha

Brasileiro é que nem praga, está em todos os lugares. Disso eu sempre soube. Mas acabei de constatar que brasileiros adventistas também estão espalhados por todos os cantos. Esse fim de semana, participei de um retiro espiritual de todas as IASD de língua portuguesa na europa, realizado na Alemanha. Foi excelente! É muito legal ver que mesmo longe das bases familiares e do país materno as pessoas continuam guardando sua fé e levando a outros a mensagem de esperança. Eu ainda não o conhecia, mas o Pr. Ronaldo de Oliveira é ótimo! Uma linguagem fácil, divertida e assuntos muito interessantes. A experiência dele quando foi sequestrado por guerrilheiros na Angola é impressionante.


Mas agora vamos falar um pouco da Alemanha... o retiro foi no interior, numa região chamada Geseke. Muito verde, natureza, lindo. Confesso que me surpreendeu. Eu jamais esperava encontrar essa paissagem na Alemanha. E os dias estavam lindos. Muito sol e calor.


Passeamos também por uma cidadezinha perto dali (que eu esqueci o nome) e por Colônia. Como sempre, o ponto turístico principal era uma igreja: a Catedral de Colônia. Enorme, gótica, linda e entrada franca. De resto, não tem muito mais para ver... restaurantes, barzinhos, lojas, o de sempre. Confesso que fiquei mais encantada com o interior, os campos são lindos e a cidade que visitamos uma gracinha, aquelas casinhas bem típicas, eu adorei.


Esse casal eu achei a coisa mais fofa do mundo. Dois velhinhos passeando de bicicleta e todo arrumadinhos. Muito bonitinhos! Aliás, vi bastante gente passeando de bike por lá. Infelizmente, as fotos de Colônia ficaram na máquina da minha amiga e ainda não chegaram às minhas mãos...



terça-feira, 31 de maio de 2011

Mais de Bruxelas... e um pouquinho de França


Meus dias têm sido tão agitados e corridos que sempre sobra assunto e falta tempo e disposição para atualizar o blog... mas esses dias finalmente conheci dois dos pontos turísticos mais famosos de Bruxelas: Atomium e Mini-Europe. Para quem não reconhece o nome, o Atomium é essa escultura de bolas construída para a World Faire de 1958. Símbolo máximo da Bélgica.

É bem bonito, grande, imponente. Bem mais interessante que o tal do Manneken pis. Você pode fazer um tour dentro da construção, mas quem já fez diz que não tem nada demais. Custa 14 euros a entrada e eu achei melhor deixar para a próxima!


Bem do lado do Atomium está a Mini-Europe, um parque com miniatura dos países da União Européia. É legalzinho e se você mora aqui ou tem tempo e dinheiro sobrando (a entrada custa $11), vai porque dá para se divertir. Mas não é nada demais. Algumas cidades você já reconhece de longe, como Paris e Londres, mas outras você não tem a menor idéia de qual é o ponto turístico ou símbolo do lugar!



O combo Atomium + Mini-Europe custa $24 e você chega lá de metrô, 20 minutos partindo do centro de Bruxelas. Ah... e reparem no solzão das fotos! Tem feito muito calor por aqui! Acho até que tenho que mudar o nome do blog! hahaha

E só para dizer que falei da França, esse fim de semana fui à Lille, cidade francesa bem na esquina da Bélgica (1h30 de carro de Bruxelas). É bem bonitinha, com igreja e construções antigas, como em todas as cidades européias, mas o forte mesmo da cidade são as compras. Muitas lojas e algumas com preços bem baratos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

It´s a small world

Em um mundo tão capitalista e egoísta, onde tudo é baseado no “O que eu ganho com isso?”, é incrível encontrar pessoas desprendidas, solidárias, capazes de doar tempo e espaço sem receber nada material em troca. Mas isso existe. E isso se chama Couch Surfing.  Se você não tem idéia do que estou falando, confira o link: www.couchsurfing.org
Eu posso dizer, sem exageros, que o CS mudou minha viagem na Europa e com certeza minha visão sobre o mundo e as pessoas. É muito mais do que arranjar um lugar para dormir sem pagar hotel, é mesmo uma comunidade de pessoas dispostas a ajudar, compartilhar... it´s all about share and learn.
So far, todas as minhas experiências de CS foram amazing. Em Paris, fui hosted de última hora e além da cama para dormir, tive um motorista/guia/fotógrafo durante toda a madrugada que me mostrou a cidade e me deu a visão de uma Paris não-turística. Com direito ainda há um excelente papo e muita risada. Experiência muito parecida e super bem-sucedida também em Brugge.
E a comunidade oferece muito mais, ofertas de empregos, caronas, ajuda de todos os tipos. Ainda tem a parte dos idiomas, incontáveis mesas de conversação em todas as línguas, de nativos que se dispõe a ensinar sem nenhum custo,  languages exchanges, free “professores” particulares...
Sem contar que para quem está fora de casa, como eu, é uma excelente ferramenta para fazer amizades e curtir a cidade. Pelo menos aqui em Bruxellas, todo dia tem algum evento, algo de interessante para fazer. E os encontros são sempre excelentes. Um mix de pessoas vindas de todos os lugares, que já viajaram para os destinos mais exóticos, sempre friendlys, open-minds,  receptivos, é realmente incrível. É um dos momentos que realmente você percebe: “what a small world!”
Independente de você ser o tipo que hospedaria ou surfaria, vale a pena conhecer o projeto. É imenso e encantador ver como existem pessoas tão interessantes e solidárias!  

quarta-feira, 4 de maio de 2011

I AMsterdam


Quem acompanha o blog sabe que eu sou apaixonada por Amsterdam e cada vez que vou lá fico ainda mais encantada. Se a cidade já é linda no inverno, na primavera, então, nem se fala. Nesse fim de semana, curti dois programas imperdíveis na Holanda: Keukenhof e Queen´s Day. O parque das flores fica há menos de uma hora de Amsterdam e vale muuuito a pena conhecer. O lugar é encantador! O que mais me impressionou são as cores, tão vivas que parecem pintura. Sem contar que o parque é super bem cuidado e uma delícia de passear. Programa para se passar um dia inteiro, andando, tirando muitas fotos e apreciando uma beleza espetacular. O ingresso custa 14,50 euros e você pode comprar um combo com um ônibus que sai do aeroporto e te deixa na porta do parque por 21 euros. O preço é um pouquinho salgado, mas é justo porque o parque é enorme e muito bem conservado. Mas se você quiser economizar, sugiro levar seu lanchinho, como eu fiz. Um sanduiche lá não sai por menos de $4,50.

Depois de andar horas no parque, fomos aproveitar o Dia da Rainha. Quem nunca ouviu falar, 30 de abril é o aniversário da Rainha da Holanda, Beatriz, e o país inteiro está em festa. Principalmente Amsterdam. A cidade fica hiper-ultra-mega lotada e com festa para tudo quanto é lado, todo mundo de laranja e palcos e DJs a cada esquina. Eu adorei!!! Em primeiro lugar, porque é uma festa para todas as idades. Todo mundo está ali para celebrar e curtir. Segundo, porque apesar do tumulto, não vimos brigas e nem confusão. E tinha bastante polícia para cuidar dos bêbados! Sem contar que como tem muita coisa rolando, se você não gosta de um tipo de música, você vai pra outro lugar e com certeza você vai achar algo que te agrade. Eu fiquei mais de 7 horas na festa e nem senti passar! Foi muuito divertido! É algo que lembra o carnaval de rua carioca, mas com mais diversidade e organização. Só um detalhe: nunca vi Amsterdam tão suja!!! Mas como aqui é primeiro mundo, quando acordamos no dia seguinte, a cidade já estava quase em ordem outra vez!