terça-feira, 11 de março de 2014

Música, viagens e lembranças...



Todo mundo tem aquela(s) música(s) que marcou um momento da vida. Pode ter sido um episódio específico ou um período. Isso também acontece em viagens. E mesmo tempos depois, quando ouço a canção, vem aquela lembrança tão gostosa, da cidade, das pessoas, da experiência. 

Esse post é a seleção de algumas músicas que marcaram minhas viagens e os porquês.

- Paraty e O tempo não para (Cazuza) – A primeira vez que visitei essa que é minha cidade preferida no RJ, em 200 com minha mãe e irmã Didy, o filme do Cazuza tinha acabado de ser lançado e um dos meus melhores amigos me deu o CD. Ouvia e cantava sem parar. Um belo dia, tomando café da manhã na pousada na beira da piscina, eu e Didy cantávamos: “A tua piscina tá cheia de ratos”. Minha mãe, com uma cara mega assustada, gritou: “Cadê???”. Morremos de rir. E toda vez que a gente canta essa música, incluímos a intervenção da minha mãe. Amo Parati e amo Cazuza. 

O tempo não para (Cazuza)

- Disney e “You are my sunshine” (Jimmy Cliff) – Quando eu, minhas irmãs Taninha e Didy e Marcelo fomos à Disney Orlando, algumas músicas chicletes ficaram na nossa cabeça.  Uma delas era You are my sunhine e a outra era a abertura de The Big Bang Theory. Cantávamos (errado, by the way) o todo o tempo. No carro, nos parques e quando voltamos também. 


- França e Mika – Eu trabalhava há duas semanas como au pair na Bélgica e a família resolveu passar o carnaval no sul da França. Seria uma viagem de cerca de 8 horas numa Kombi, com o pai e duas crianças que mal me conheciam. Eu estava desesperada. Eu nunca tinha ouvido o Mika, mas ele salvou minha vida. Foi a nossa trilha sonora o tempo todo. No fim, já conhecia as músicas de cor e adorava. Toda vez que ouço, lembro e morro de saudade das minhas crianças.



PS: Mika também marcou minha segunda visita a Londres. A banda real tocou uma música dele enquanto esperávamos pela troca de guardas. Tão fofo! 


- Bélgica e Alors on Danse (Stromae) – Eu confesso que sou um tanto quanto preguiçosa para descobertas musicais. Se a novidade não cair no meu colo, dificilmente vou em busca. Por isso, morei dois anos na Bélgica e não conheço quase nenhum cantor local. Disse “quase” porque conheci o Stromae e adorei. Ele era Top 5 das paradas de sucesso na Bélgica nos meus primeiros meses por lá com o hit “Alors on danse”. Para quem estava bem no comecinho das aulas de francês, entender o título de uma música no idioma já era uma baita conquista. Foi por ele que sai de casa com apenas R$ 1 euro no bolso. Dei calote no tram e no metrô para assistir um show gratuito que ele cantou no centro de Bruxelas. Eu e minha parceira de pobreza: Natasha! 

- Parc du Cinquantenaire (Bruxelas) e Adele – As crianças de quem cuidei foram minhas grandes influências musicais na Europa. Eu nunca tinha ouvido falar da Adele até começar meu segundo trabalho como au pair numa família inglesa que morava na Bélgica. A filha mais nova também se chama Adele e adorava a cantora. Foi ela quem me apresentou o CD inteiro. Desde que descobri, me apaixonei. Toda noite, ainda claro por causa do horário de verão, saía para caminhar no Parc du Cinquantenaire com Adele no ouvido. Era meu lugar preferido de Bruxelas. Toda vez que passava por aqueles arcos, me dava conta da oportunidade linda que estava vivendo. Toda vez que ouço Adele me lembro desses momentos, das minhas crianças, e do quanto sou sortuda. 


PS: Adele também marcou meu segundo natal em Amsterdam, na companhia da Érika. Foi uma brincadeira nossa que faz eu morrer de rir e depois me sentir um pouco culpada toda vez que ouço Someone like you.



 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Guest-Post: Bélgica e Holanda. Dois países minusculos, vizinhos e tão diferentes

Eu conheci a Karina quando éramos Au Pairs na Bélgica. Ela terminou seu programa, voltou para o Brasil e, alguns meses depois, lá está ela cuidando de crianças novamente. Dessa vez, na Holanda. Nesse guest-post, ela conta um pouco dessa experiência.

O 1º intercâmbio eu fiz em 2010 e o principal motivo que me levou a trancar a faculdade praticamente no final do curso foi que eu precisava sair de Recife. Eu parecia uma velha ranzinza, reclamando de tudo e de todos. Era hora de mudar os ares.

Passei um ano e quatro meses como au pair na Bélgica, e (clichê), foi um dos melhores anos da minha vida. Incontáveis amizades, 14 países conhecidos, romance, festas, gastronomia, língua... é mais facil dizer o que não foi diferente do que estou acostumada. Voltei para casa e foi um choque. Eu já sabia que o primeiro mês de volta a terrinha ia ser maravilhoso mas dificil ao mesmo tempo, só que não durou um mês, nem dois... Quando eu vi, já fazia um ano que tinha voltado e meu desânimo permanecia. Foi ai que resolvi viajar novamente.

Entre decidir ser au pair de novo e até ter o visto na mão, foram 5 meses. Tempo recorde! A Holanda não era algo misterioso. Já tinha vindo ao país três ou quatro vezes, a língua também já estava acostumada. Seria fácil a adaptação. Cheguei num dia de sol e bastou sair do avião para vir aquela sensação de “estou em casa”. O mundo é a minha casa.

Mas as comparações começaram... Acho que é inevitável não pensar no que um país tem de melhor ou pior. Primeiro choque foi com o transporte público. Serviço eu achei igual, tanto de ônibus quanto de trem (são os dois que mais uso aqui e também lá na Bélgica), mas os preços... Vi os euros indo pelo ralo e fiquei um mês xingando haha. Aqui eu saio para outras cidades praticamente todo final de semana, o que não acontecia na Bélgica. Minha vida se resumia a Bruxelas (ou Gent uma vez ao mês).  

A língua também é outra diferença, pelo menos para mim. Sim, é praticamente a mesma coisa flemish e dutch, mas o sotaque... Um, eu entendo perfeitamente, o outro soa como alemão...

As pessoas... Acho o belga mais aberto que o dutch mas isso de que europeu é chato, não passa de intigra da oposição. Dutch só é mais mão de vaca, isso é verdade. 

A vida noturna daqui é mil vezes melhor, mas a cerveja mil vezes pior.

E como não amar a fiets? Andar se tornou chato! Em quase três meses, arrisco a dizer que esse é meu maior amor holandês.

Amsterdam... Não consigo nem definir. Porque tão linda? Bruxelas é meu xodó, aquela bagunça que me lembra um pouco o Brasil. 


A diferença mais gritante: amizades. Como a lei do au pair na Holanda mudou não tem nem um ano, a maioria das meninas vem pra cá com 20 – 23 anos, e eu me sinto A idosa perto delas. Sai da fase de curtir, badalar, tomar todas e fazer isso durante as 48h do final de semana. Eu não consigo acompanhar o ritmo e tem sido prazeroso ficar em casa tomando vinho e papeando com os hosts. 

Cheguei a conclusão que não da para comparar as experiências. O 1º intercâmbio é marcante pois tudo é novo, seus amigos estão no mesmo barco que você. Já o segundo você chega preparada, mais desenrolada. A única coisa que não muda nem se eu viajar mil vezes, é o prazer de ao meu redor  ouvir um idioma estranho, sentir uma felicidade gigante com coisas banais (andar de bicicleta de madrugada com o som nas alturas e o vento gelado na cara) e ser grata por tudo isso.


Karina Melo é hoteleira e viajante profissional.  

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Partes do Rio IV: Gávea


Painel na Rua das Acácias, Gávea

Até começar a trabalhar aqui, eu tinha vindo poucas vezes à Gávea. Uma ou duas na Feira de Estágios da PUC, talvez um teatro no Shopping e olhe lá. Não via nada de especial, mas aos poucos fui descobrindo o bairro. 

Gosto da fauna ao redor. É muito engraçado ver, no meio da Grande-Metrópole-Rio de Janeiro, miquinhos passeando faceiros nas fiações elétricas. E muitos pássaros.  

Gosto também dos cantinhos escondidos. A Rua das Acácias, por exemplo, é uma delícia: cheia de árvores, silêncio, sossego. 

Rua das Acácias
Gosto dos restaurantes/cafés deliciosos - Casa da Táta, Talho, Le Pain du Lapin- e dos mais populares também, como a lanchonete Sport e o Delírio Tropical. Não gosto do preço de nenhum deles, definitivamente. 

Gosto muito do Baixo Gávea. Do Galeto do Braseiro, das pessoas na calçada conversando, do clima universitário – quase tão bom quanto a Cantareira. 

Gostava mais da PUC quando podia comer no bandejão por R$6, mas ainda gosto do espaço aberto, das árvores, dos outros idiomas. Gosto de ter vários cursos legais, mas todos gosto de todos eles serem muito caros.  

Gosto do Shopping da Gávea pelos teatros, por ver os famosos circulando, pelas opções de restaurante, mas não gosto do espaço em si e nem dos adolescentes que frequentam. 

Gosto de poder ir a pé até a praia do Leblon e, no horário de verão, poder admirar o pôr-do-sol do Dois Irmãos. 


Odeio feiras, mas gosto especialmente da Feira da Gávea. Acho mais limpa e simpática.


Não gosto de ter quatro estações do Bike Itaú por perto e dificilmente conseguir encontrar uma bicicleta.

Não gosto de não ter metro e nem ciclovias em algumas das ruas que ligam a Gávea a Botafogo. Definitivamente, não gosto do trânsito para chegar até aqui.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

10 Livros sobre viagem


Nos últimos dias, rolou uma brincadeira no Facebook para listar 10 livros que marcaram sua vida. Eu adorei. É uma boa maneira de pegar indicações e também conhecer mais da pessoa, no estilo diga-me o que lês que te direi quem és. 
 
Para mim, foi muito difícil selecionar os 10 e, logo depois que publiquei, lembrei outros que mereciam ter entrado. Mas como esse é um blog basicamente sobre viagens, a tarefa é mais fácil. Listar 10 livros interessantes que, de alguma forma, se relacionem com o tema. Aí vão minhas dicas:


- Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) – Não é sobre uma viagem literal ou mesmo possível, mas revela perfeitamente o espírito da coisa. A experiência de conhecer outros mundos, novas pessoas, de sonhar. E o autor era um piloto, portanto, um viajante nato.

- Comer Rezar Amar (Elizabeth Gilbert) – Foi uma das grandes inspirações para minha viagem para a Europa e também para esse blog. É uma história real e uma experiência não rara – de alguém que viaja para se encontrar. É lindo, me marcou profundamente e foi decisivo na minha viagem por Roma. 

- E foram todos para Paris (Sérgio Augusto) – É uma proposta de guia bem diferente de Paris. Para conhecer o lado cult da cidade luz,  dos anos 20, dos modernistas Hemingway, Fitzgerald e Picasso. Eu gostei muito da experiência de andar por lá com o livrinho a tira-colo, de conhecer a livraria e os cafés que eles frequentavam.  PS: Paris é uma festa (Ernest Hemingway) é como se fosse o relato original de “E foram todos para Paris”. É o próprio Hemingway contando sua vida na Paris dos anos 20. Eu achei ele meio chatinho e o outro tem mais dicas práticas. 

- Código da Vinci (Dan Brown)– Pode parecer bobagem, mas ler o Código da Vinci foi minha primeira motivação para conhecer o Louvre e assim que cheguei lá só pensava no livro, nos mistérios e segredos que o museu escondia. O mesmo aconteceu quando vi “A última Ceia”, em Milão. Fiquei observando os mínimos detalhes para ver se percebia as mensagens subliminares descritas por Dan Brown. 

- Anjos e Demônios (Dan Brown) – Assim como a experiência acima, o Vaticano ficou muito mais interessante para mim depois que li esse livro e quando o conheci também só pensava nas conspirações protegidas por toda aquela riqueza. 

- Budapeste (Chico Buarque)- Se você não tem vontade de conhecer a cidade, provavelmente terá depois de ler esse livro. Ou pelo menos curiosidade para ouvir o idioma húngaro, grande protagonista da história. E o mais estranho é que o Chico jura que escreveu sem nunca ter pisado por lá. 

- Terra Sonâmbula (Mia Couto) – Esse não é um livro sobre viagem, mas fortaleceu ainda mais a minha vontade de conhecer melhor a África, suas histórias, sua cultura. E de visitar Moçambique. 

- O Livreiro de Cabul (Åsne Seierstad)- Eu nunca tive muito interesse por países mulçumanos e muito menos pelo Afeganistão, mas esse livro me despertou a vontade de entender melhor essa cultura, esses lugares e, quem sabe um dia...

- A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera) – Para ser sincera, quando conheci Praga já nem lembrava que esse, que é um dos meus livros preferidos, se passava por lá. Mas andando por aquelas ruas, vendo aquelas pessoas, me lembrei e fiquei tão feliz.  

- Live the dream and love the journey (AnaElisa Miranda) – É um must-read para quem quer ser Au Pair. Explica como se preparar, como encontrar uma família e também ajuda a entender e lidar melhor com o boom de sentimentos trazidos pela experiência de morar com outra família em um país diferente.

E vocês? Que livros indicariam?