Eu conheci Natal-RN ainda bem criança e o tempo apagou quase todos os detalhes da viagem, mas alguns grandes acontecimentos me marcaram: passeio de buggy nas dunas, tirolesa, esquibunda, bar na piscina do hotel e ponto brasileiro mais perto da África (juro que fiz esforço para tentar enxergar o outro continente). A Tati, minha querida amiga da faculdade para a vida, visitou Natal mês passado e tem histórias e dicas bem interessantes para contar. Aproveitem o guest-post.

"Quando buscava um lugar para conhecer nas férias, tinha
apenas uma certeza. Nesse verão, quero conhecer praias lindas e paradisíacas.
Como não tive muito tempo para planejar, decidi ir na CVC fechar um pacote para
não ter com o que me preocupar. A maioria dos pacotes para o Nordeste já
estavam fechados, mas tinha duas vagas para Natal. Não pensei duas vezes!
Levei minha mãe para a tal Cidade do Sol, como é conhecida carinhosamente.
Parece que chove pouco, mas quando cheguei o tempo estava nublado. No mesmo
dia, chovia (às vezes, bem forte, mas era rápido mesmo), abria um sol forte e
nublava.
A boa notícia é que logo quando desci do avião, percebi
também que a melhor coisa que fiz foi ir por uma agência. Infelizmente, o
transporte público é bem precário. Quase não tem ônibus circulando e o único
jeito de conhecer as melhores praias e se deslocar é de carro ou táxi. No
pacote da CVC, o ônibus de turismo leva você para vários lugares e não falta
programação. Só tive um dia livre em uma semana, o que foi ótimo. O hotel
reservado era o Praia da Costeira, na via costeira, uma avenida que só tem
hotéis. As piscinas eram ótimas, o quarto muito bom e tinha de tudo lá dentro:
academia de ginástica (conseguir ir duas vezes, tinha até instrutor!),
restaurantes e uma praia particular. O mar não era muito tranquilo, então
fiquei apenas na piscina, especialmente a que tinha uma espreguiçadeira dentro
da água. Uma delícia! Mas, ali por perto só tem dunas. Não dá para ir a pé para
restaurantes, supermercados ou qualquer outro lugar. O que não agradou muito a
gente! A região que concentra o “fervo urbano” é Ponta Negra. Sem dúvida, a
melhor opção para se hospedar!
Para conseguir aproveitar ao máximo, não tem jeito. Tem que acordar
bem cedo. Por volta das 6h, o ônibus chegava no hotel para buscar a gente. A
primeira praia que conhecemos era Pirangi, perto do “maior cajueiro do mundo”.
Não quis pagar para entrar. O valor era R$ 6,00 e estudante paga meia, mas do
lado de fora você já tem uma boa ideia da imensidão dele. É um quarteirão
ocupado por uma vasta mata cheia de galhos, cercava por uma grade. Entramos por
um restaurante na praia e escolhemos caminhar, em vez de fazer o passeio de
saveiro. Foi ótimo! Cada passo revelava uma nova paisagem, até chegar num
trecho cheio de pedras negras, lindas. A água quente do mar tranquilo valia
várias pausas para o mergulho. Em alguns pontos (que só dá para descobrir
realmente caminhando pela areia) a maré se mistura com algumas lagoas naturais.
Resolvemos apenas comer besteirinhas como castanhas e não almoçar no
restaurante, o preço era bem salgado. E, pelo o que vi, todos os indicados pela
CVC eram caros. A melhor opção é levar lanchinhos, petiscar e depois comer em
um restaurante frequentado pelos “locais”.

No dia seguinte, fomos para a Baia Formosa, lugar que se
orgulha de ter sido cenário de algumas cenas da novela “Flor do Caribe” (sim,
tem uma placa!). A praia é linda, mais uma vez, ficamos em um restaurante, que
tinha até piscina. Mas, a melhor parte foi o passei de buggy! É o mais em
conta, pagamos R$ 280 pelo carro, que pode ser divido por quatro pessoas. Ver
as dunas, passar por cima delas como se atravessasse um deserto cercado por mar
é incrível. Chegamos até Sagi, um vilarejo humilde, com cabras e cachorros na
rua, mas que tem o cruzamento do mar com o rio. Quase na fronteira com João
Pessoa. Depois, seguimos por dentro da Mata Atlântica até chegar na lagoa da
Coca-Cola. A água é bem escura, por causa das raízes das plantas que cercam a
lagoa. Dá para sentir algumas algas passando por baixo de você, mas é
refrescante, divertido e surpreendente. O passeio dura umas três horas e vale
cada centavo.

A Barra do Cunhaú é a praia conhecida por ser uma piscina
natural. O mar é bem tranquilo, especialmente depois das 15h. A água é bem
limpinha e quentinha. Bem afastada, se caminhar depois da região onde ficam os
restaurantes, a praia fica praticamente deserta. Minha mãe ficou até com um
pouco de medo. Mas, vale alguns passos para ter a sensação de estar
praticamente sozinha com tanta beleza natural.
No dia seguinte, fomos para Cacimbinhas, uma praia que fica
no meio de falésias. Você precisa descer uma escada com mais de 150 degraus
para chegar lá. Mas, vale a pena. O mar é aberto, com ondas mais fortes, por
isso, os surfistas frequentam mais o local. Porém, é ali que dá para ver com
mais facilidades os golfinhos! Sim, não espere vê-los pertinhos. Tive que
prestar bastante atenção para ver apenas um saindo e entrando na água, muito
rápido. Mas, eu amo golfinhos e fiquei completamente “abufelada” (apaixonada,
na língua nordestina) com a possibilidade de estar perto deles. Em volta,
apenas a natureza. Uma belo cenário!
De tarde, fomos para o complexo da Pipa, o lugar que mais
gostei! A rua principal é decorada com muita arte e formosura, lembra a rua das
pedras, em Búzios. A praia fica lotada de gente, mas o mar é o mais delicioso
de todos! Água quente, poucas ondas e bem clarinha, até um labrador nadou perto
de mim. Um passeio de trem que custa R$ 13,00 levou a gente para a paisagem
mais linda que já vi na vida! Subimos até o topo de uma falésia, onde até foi
gravado a abertura do “Fantástico” da década de 80, em que algumas mulheres
dançavam. Uma das praias é em forma de
coração! Em Pipa, também tem uma vida noturna bem movimentada. O ideal é se hospedar
pelo menos um ou dois dias lá.
A última praia que conheci foi Maracajaú. Não tem muita
graça, a areia tem muitas pedras, por isso, não dá para ficar confortável no
mar. Mas, o mergulho é encantador. Dá para ver peixes nadando, corais e nem é
necessário saber nadar muito bem. Uma boia prende sua cintura! Infelizmente,
esse passeio não pude fazer, mas pelas fotos que vi, recomendo demais! A parte
mais legal também é o passeio de quadriciclo. Eu dirigi o que parecia uma moto
com quatro rodas, com minha mãe na garupa, no meio de várias dunas. A
experiência de subir e descer, sendo que você está no comando, é bem legal! Na
verdade, só é preciso apertar o acelerador e freio, sem mistérios. Um instrutor
acompanha o grupo.

Sobre alimentação, realmente os frutos do mar são um sucesso
por lá. Tem até rodízio de camarão. Como não gosto, escolhi a carne de sol em
quase todas as ocasiões. Um prato individual dá fácil para duas pessoas (se
bobear, três!). Comi um bolinho de aipim com carne de sol no Centro de Turismo,
uma antiga cadeira que virou um shopping de artesanato com shows de forró, que
estava muito bom. Recomendo! Devido a quantidade de mangues, o carangueijo
também aparece em todos os cardápios. Achei amargo, mas provei. Minha parte
favorita era a tapioca, de diversos sabores, e as castanhas doces! Sim, tinha
de mel, gergelim e até chocolate. Cocada, inclusive a quenga, a mais famosa, é
um sucesso e tem em todos os lugares também. Vale trazer como lembrancinha até!

Aliás, shopping de artesanato é o que não falta em Natal. O
mais em conta que encontramos ficava perto do shopping Praia Mar, em Ponta
Negra. Desde bolsas de moedas, chapéu, lápis de cor até toalhas e vestidos de
renda, tem para todos os gostos. Nesses lugares, SEMPRE tem castanha (salgada
ou doce). O quilo custa R$30, 00 em média. Só o que me incomodava era a mania do povo
achar que “turista tem dinheiro”. Toda hora, alguém pedia um dinheiro ou se
oferecia para segurar uma sacola, por exemplo, apenas para ganhar um trocado.
Um menino chegou a levar um jegue para a praia de Barra do Cunhaú e cobrar para
as pessoas tirarem fotos com ele, por exemplo. Os artistas locais pipocavam de
todos os cantos possíveis oferecendo flores de papel, ímas de geladeira e tudo
mais que se pode imaginar.
A melhor parte de Natal está no céu. É impressionante como
as estrelas parecem brilhar com mais intensidade. Nunca tinha visto uma cadente
e vi duas de uma vez só! Além disso, as nuvens se misturam com o sol e o mar e
fazem um verdadeiro espetáculo da natureza. Então, não esqueça de olhar para
cima quando for para lá, vale muito a pena! Outra parte positiva foi conhecer algumas pessoas
tão legais como a Sônia, que comemorava 30 anos de casada com o marido, o João
Carlos, entre brigas divertidas e muitas risadas. A Cláudia, de Porto Alegre,
estava com a filha, a Alexia, e dividimos os custos do bugge e refeições, além
de alguns momentos bem divertidos!
Enfim, voltei com saudades da vista para o mar, das praias
desertas e da água quente do mar. Mas, com a certeza de que “viajar é trocar a
roupa da alma”. Sim! E lá em Natal, você troca mais de biquíni do que roupa.
Aproveite!"
Tatiana Borges é jornalista, publicitária, amiga dos famosos e blogueira no temporariamente desativado
Cotidiano Urbano.